Promoção da saúde mental nas universidades
Prof. Flávio Kapczinski discorre sobre pesquisas nessa área que poderão orientar políticas públicas e ações institucionais
9/17/2026


A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vem realizando um estudo nacional sobre a saúde mental de estudantes de universidades públicas. Os dados preliminares indicam uma presença importante de transtornos mentais na população universitária. Até o momento, entretanto, não há evidências que permitam afirmar que a prevalência desses transtornos seja maior entre universitários do que na população brasileira em geral. O sofrimento psíquico tem atingido amplos segmentos da sociedade, com impacto especialmente relevante entre os jovens, em razão de múltiplos fatores sociais, econômicos e culturais.
A pandemia de covid-19 foi, sem dúvida, um dos acontecimentos que mais contribuíram para agravar esse cenário. O isolamento social, as perdas, as mudanças bruscas nas rotinas de estudo e trabalho e a insegurança em relação ao futuro produziram efeitos que ainda estão sendo investigados. Ao mesmo tempo, após a pandemia, a saúde mental passou a ser discutida de maneira mais aberta em todo o país. Diversos estudos estão em andamento, entre eles a pesquisa conduzida pela UFRGS e pela Fiocruz, e seus resultados poderão orientar políticas públicas e ações institucionais mais adequadas.
Enquanto esse conhecimento é produzido, é fundamental compreender que a saúde mental pode e deve ser promovida, assim como ocorre com a prevenção de condições físicas, como diabetes e hipertensão. Entre os fatores de proteção, o exercício físico regular ocupa posição de destaque.
Criar uma rotina de desaceleração ajuda a promover um sono mais saudável e reparador.
Também são recomendadas práticas de controle da ansiedade, como a meditação, que pode ser realizada individualmente, por meio de aplicativos, ou em atividades de grupo. Outro cuidado importante é evitar o consumo de substâncias psicoativas, incluindo álcool, nicotina e psicoestimulantes sem indicação médica. Retirar ou reduzir esses fatores de risco favorece tanto a saúde física quanto a mental e previne problemas que podem interferir no desempenho acadêmico, nos relacionamentos e na qualidade de vida.
A higiene do sono é igualmente essencial. Recomenda-se estabelecer horários relativamente regulares para dormir e acordar e, ao final das atividades acadêmicas, preferencialmente no início da noite, reduzir o uso de redes sociais e evitar telas antes de dormir.
Caminhadas, corrida, esportes coletivos, musculação ou outras atividades adequadas às condições e preferências de cada pessoa contribuem para o bem-estar, a regulação do humor, o sono e o manejo do estresse.
Por fim, as interações sociais presenciais constituem um importante fator de proteção. O convívio face a face com colegas, amigos e familiares deve fazer parte da rotina, para além das relações virtuais. Aos estudantes da UFRGS, recomenda-se buscar atividades esportivas, ligas e grupos universitários, bem como iniciativas sociais e culturais que não tenham o consumo de álcool como elemento central. Sempre que possível, também é benéfico manter contato com a natureza. Em Porto Alegre, espaços como a Orla do Guaíba e o Parque Farroupilha (Redenção) oferecem oportunidades para caminhar, praticar esportes, encontrar pessoas e manejar o estresse. Promover saúde mental significa incorporar esses cuidados à vida cotidiana e, quando houver sofrimento persistente ou prejuízo no funcionamento, procurar apoio profissional e os serviços de saúde disponíveis.


