Icict/Fiocruz e UFRGS firmam cooperação para fortalecer Renasam e pesquisas nacionais em saúde mental

Parceria amplia pesquisas em todo o país e fortalece a produção de evidências científicas

RENASAM

3/13/20264 min read

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) firmaram um acordo de cooperação técnica para conduzir a realização de estudos nacionais voltados à saúde mental da população brasileira. A iniciativa busca ampliar a produção de evidências científicas capazes de orientar políticas públicas, estratégias de prevenção e ações de cuidado à saúde mental no país.

O acordo, assinado em 4 de março deste ano, tem duração de cinco anos e envolve, pela Fiocruz, o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict). A cooperação cria bases institucionais para o desenvolvimento de pesquisas em escala nacional que permitam compreender melhor a frequência de transtornos mentais, seus impactos sociais e os desafios enfrentados por diferentes grupos da população.

Segundo a pesquisadora do Icict/Fiocruz, Raquel De Boni, coordenadora da iniciativa na Fiocruz, a cooperação fortalece a capacidade brasileira de produzir evidências epidemiológicas sobre saúde mental, uma área em que ainda persistem importantes lacunas de informação, estigma e desinformação. “O convênio é essencial para a consolidação da Rede Nacional de Saúde Mental (Renasam) e para a execução de um grande inquérito epidemiológico, que irá, pela primeira vez, estimar a frequência de diagnóstico de transtornos mentais em nosso país e em suas universidades públicas. Além disso, esse projeto é totalmente ancorado em tecnologias da informação e comunicação (TICs)- e esperamos que elas possam orientar estratégias de Saúde Digital em nossa área”, afirma.

O acordo de cooperação foi viabilizado no âmbito do projeto Rede Brasileira em Saúde Mental: um inquérito sobre a saúde mental na população brasileira e em suas universidades públicas, coordenado conjuntamente pelos pesquisadores Raquel De Boni (Icict/Fiocruz) e Flávio Kapczinski (UFRGS). O projeto conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Rede Nacional de Saúde Mental (Renasam)

Lançada em 2024, a Renasam é uma rede de ciência, tecnologia e inovação que reúne cerca de 140 pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais de diferentes áreas. O objetivo é fortalecer a produção de conhecimento científico, estimular a inovação em saúde mental e contribuir para a redução do estigma associado aos transtornos mentais.

A Rede também articula grupos de pesquisa e instituições de todo o país para o desenvolvimento de estudos inovadores em saúde mental, com potencial de gerar benefícios para a sociedade brasileira. Nesse processo, diferentes áreas estratégicas se integram, como divulgação científica, comunicação, gestão, estatística e tecnologias da informação, ampliando a capacidade da Renasam de produzir conhecimento, qualificar dados e transformar evidências em informação acessível para a população e para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre as iniciativas, a série Diálogos Renasam, seminários técnico-científicos mensais com especialistas de instituições nacionais e internacionais, voltados ao compartilhamento de conhecimento e à ampliação do acesso à informação sobre saúde mental. Esses encontros reforçam o compromisso da Rede com a sociedade brasileira e a circulação de informação qualificada sobre o tema.

Inquérito Epidemiológico

A pesquisa sobre saúde mental está em andamento no âmbito da Renasam, com participantes escolhidos em um processo aleatório, para estimar os resultados em toda a população. O principal objetivo é calcular e comparar o número de pessoas com transtornos psiquiátricos, na população universitária brasileira (estudantes, professores e funcionários técnicos) e na população brasileira.

A pesquisa está sendo realizada em duas partes:

  • Estudo Nacional de Saúde Mental nas Universidades (Enasam-U), voltado para estudantes, professores e funcionários das universidades;

  • Estudo Nacional de Saúde Mental (Enasam), que inclui pessoas da população em geral.

Em cada parte, a pesquisa é realizada em duas fases, uma triagem - realizada por questionário on-line nas universidades e presencialmente nos domicílios - e uma entrevista diagnóstica por teleatendimento, etapa central da pesquisa. Uma inovadora infraestrutura digital unificada integra recrutamento, notificações, captura de dados e entrevistas diagnósticas.

Até o momento, 14 universidades já iniciaram a etapa de coleta de dados. Duas delas, a UFRGS e a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) em Minas Gerais, já concluíram integralmente essa fase. Outras instituições devem iniciar a coleta nos próximos meses, entre elas a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). A coleta de dados do inquérito domiciliar tem previsão de início em julho

Para o professor Flávio Kapczinski, pró-reitor de Pesquisa da UFRGS, conhecer esse cenário é essencial para orientar ações no campo da saúde mental no Brasil. “O estudo permitirá traçar um panorama representativo da realidade brasileira, oferecendo evidências que podem orientar o redirecionamento de políticas públicas de saúde mental em níveis regional e nacional”, afirma Kapczinski.

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Fonte: ICICT/FIOCRUZ.